Apenas
arte…
A partir do momento que os Ready-Made
de Duchamp, são legitimados pela História, daí em diante toda a Arte em geral
reina; isto quer dizer que nem tudo é Arte, mas qualquer coisa é suscetível de
vir a sê-lo.
A constante da Arte do séc XX e XXI, não é mais do que uma
reflexão sobre si própria. Os artistas questionam constantemente os seus
conceitos e dicotomias que vão sustentando a linguagem artística:
Representação/Realidade, Ideia/Forma, Arte/Vida (…).
O Artista desvenda o mundo, recriando-o noutra dimensão, de tal
forma que a realidade não está nem para além nem na obra, ela é a própria obra.
Segundo Ponty é necessário um distanciamento da história e também
do indivíduo para deixar o artista perante si próprio (1).
“ É emprestando o seu corpo ao
mundo que o pintor transmuta o mundo em pintura (…), o pintor seja ele quem
for, enquanto pinta, pratica uma teoria mágica da visão” (2).
Culturalmente é comum associar o ato de apreciar arte ao status
social, mas todos somos capazes de apreciá-la, porém em diferentes
profundidades. Muitas pessoas acreditam que não se interessam ou não sabem
apreciar arte, contudo, ela está presente em inúmeras formas de manifestação no
nosso quotidiano desde o design dos outdoors, até à tipologia utilizada na capa
de um livro, de um telemóvel, de uma embalagem…
As artes são estruturadoras de muitas
outras áreas de exercício profissional, que nela se baseiam ou que do seu
exercício partem.
Nas disciplinas de Desenho A e Oficina
de Artes, as artes são apenas arte. São forma universal de conhecer e comunicar,
interpretar, questionar e desafiar a realidade.
(1) (As Teorias da Arte, Jean Luc Chalumeau, cap.X, p.126)