quarta-feira, 8 de julho de 2009
O QUE É ARTE?
O QUE É ARTE? O presente texto tem como principal objetivo, e de uma forma bastante reflexiva, tentar explanar a perplexidade que se verifica em torno de uma grande parte da Arte Contemporânea. Se fizermos uma viagem no tempo e na História da Arte, cedo nos apercebemos que as dúvidas de hoje pouco diferem das de ontem e com certeza que vão prevalecer no futuro e enquanto se fizer arte. A minha reflexão centra-se numa instalação Conceptual dois artistas Ingleses numa galeria em Alfama (Lisboa), cujo conteúdo era essencialmente Larvas e Carne Podre. O porquê da minha reflexão não se deve ao conteúdo da exposição mas antes ao impacto que ela causou na maioria dos visitantes. É precisamente no “desabafo” do público (ISTO É ARTE?) que eu encontrei o título para o meu texto: O que é Arte. Um dicionário normal diz-nos que Arte consiste na produção de coisas belas por alguém que tem talento, dom e astúcia. A julgar por esta definição é obvio que as pessoas de Alfama, puderam ver naquela exposição tudo menos beleza. “ Uma perna de carneiro em decomposição é arte?”. Era isto que intrigava as pessoas. Como se explica que no inicio do séc. XI marcado por um acelerado avanço tecnológico que apesar de impositivo é acolhido sem questões, e um simples bocado de carne em decomposição possa causar indignação? “ Isto é uma exposição? Ó meu Deus!”, como quem diz: Isto é Arte? Afinal o que é Arte? Estas questões que a priori parecem gastas encerram em si um conjunto de outras questões às quais Teorizadores de arte desde Platão aos nossos dias tentam responder. O que se verifica neste público “incrédulo” que já não é o público de Alfama, mas grande parte da sociedade é que existe um défice em temos de formação artística. Tal como a ciência e a política que implicam um nível de conhecimento, também a arte exige preparação. A arte dos nossos dias está cada vez mais perto das pessoas, pois o seu material e a sua linguagem provêm do dia-a-dia, as pessoas conhecem esses objetos, o que é preciso é descodificar a mensagem, o que é preciso é ter capacidade de retirá-las do seu contexto normal e colocá-las no contexto artístico. Foi isto que os artistas pretenderam transmitir: vida, larvas, moscas e morte; o confronto da vida com a morte; a vida que só tem sentido se houver morte. Hoje, a arte como grande parte da atividade humana, é a procura dos limites, interiores e exteriores; arte que nos permite várias interpretações, várias leituras, várias formas de ver e sentir artístico, provocando as mais diversas reações, experiências de vida, reflexão e visão do mundo, verdades, enfim: Expressão de sentimentos? MARCEL DUCHAMP diz-nos que a arte pode ser ruim, boa ou indiferente, mas qualquer que seja o adjetivo empregue , temos de chamá-la de arte. A arte ruim é arte do mesmo modo como uma emoção ruim é uma emoção. Mais do que nunca um objeto não é uma obra de arte enquanto tal, a não ser em relação com uma interpretação. Ou então as interpretações são as funções que transformam os objetos materiais em obras de arte.
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