Planificar:
“… Não existe nenhuma entidade genérica a que se possa dar o nome de o professor eficiente. A eficiência do ensino deve antes ser considerada em relação a um professor determinado lidando com determinados alunos, num determinado ambiente, enquanto procura alcançar determinadas metas de ensino”.
( in Pophan e Beaker, sistematização do ensino)
Para qualquer actividade que implique alcançar determinadas metas, é de todo fundamental prognosticar a acção a realizar que vá no sentido da sua orientação. Também no ensino esta necessidade ganha cada vez mais corpo, pois tudo se planifica, planificam-se conteúdos, planificam-se visitas de estudo, planificam-se actividades da direcção de turma, etc., e cada planificação tem um momento próprio para ser realizada. Assim no início de cada ano lectivo, o professor deve elaborar uma planificação a longo prazo, ainda no início do ano e durante o seu desenrolar, planificar a médio prazo e se achar pertinente planificar acções diárias que se focalizem no contexto de cada turma (plano a curto prazo).
É fundamental também que um professor tenha consciência que quanto mais especificados forem os elementos da planificação, maior é o seu controle, mas menor é a liberdade que o aluno tem, no que se refere à sua maneira de aprender que na teoria Piagetiana se faz na procura do equilíbrio entre o “eu” interior e o “mundo exterior”. É claro que quando se fala em liberdade do aluno não é sinónimo de deixá-lo fazer tudo o que ele quiser ou lhe apetecer, mas sim respeitar a sua individualidade e dar-lhe apoio necessário na altura exacto.
Portanto elaborar uma planificação é tão importante, quanto é importante também ser capaz ou profissional o suficiente de a pôr de lado, é certo que deve existir um fio condutor, mas por vezes é necessário haver flexibilidade de forma a permitir ao professor introduzir novos elementos ou mudar de rumo. É em disciplinas como as das áreas das expressões, que pelas suas características metodológicas que as planificações são menos estruturadas, e por isso uma aula deve “acontecer”, ser viva e dinâmica, onde a diversidade de interesses e características individuais de cada aluno, bem como inter-relações humanas estão para além do que está nos papéis. Nestas disciplinas propõem-se objectivos que levam a três tipos de aprendizagem: aquisição de conceitos e domínio de técnicas, interiorização do processo de resolução de problemas, fomento da expressão e comunicação de ideias ou sentimentos.
Os elementos da Planificação:
Antes de organizar o seu trabalho é imprescindível que o professor se interrogue, e são as respostas a essas interrogações que indicam os elementos de uma planificação.
Quem? – O aluno individual ou em grupo.
O que? – Os Conteúdos: na selecção dos conteúdos é fundamental não eliminar temas fundamentais, e considerar como primordiais os necessários para a compreensão do conjunto, distribui-los em função do tempo disponível e procurar um equilíbrio entre a transmissão de saberes e o desenvolvimento de capacidades.
Para que? – Os Objectivos:
(Finalidades ou metas): os gerais e os específicos.
Um objectivo é algo que se pretende alcançar. Os termos geral e específico, são termos relativos e não há uniformidade quanto à sua designação, e mais importante que a designação é a intenção com que são formulados. Assim o ideal é considerar dois tipos: os que nos indicam o caminho a seguir, no sentido daquilo que se deseja alcançar, e os que nos indicam se os objectivos desejados foram ou não alcançados, sendo os primeiros os objectivos gerais de ensino - aprendizagem, e os segundos os comportamentais observáveis. É claro que para estes últimos e segundo Robert Mager, é preciso ter em atenção a forma como são formulados, isto é, especificarem a acção do aluno, o contexto e critérios de avaliação.
E avaliar é comparar, comparar algo com alguma coisa. Neste sentido o aluno é avaliado tendo como referencia os outros alunos, é avaliado com referência a um critério pré estabelecido, e é avaliado com referência a ele próprio. Assim no primeiro caso estamos perante uma avaliação normativa, isto porque o aluno pode ser igual, melhor ou pior que a média dos outros alunos. Mas é preciso não esquecer que uma avaliação normativa é sempre relativa, porque o melhor ou pior aluno de um determinado professor ou turma, pode ser por exemplo médio noutra turma com outro professor. No segundo caso estamos perante uma avaliação criterial, isto porque é feita com base num critério pré-estabelecido e baseia-se na ideia em que todos os alunos poderão atingir os objectivos propostos. E o terceiro caso, a comparação do aluno consigo próprio, é no sentido de que cada aluno tem capacidades a desenvolver e conceitos que poderão ser alargados, exemplo disso é quando um professor tem em conta o esforço que o aluno faz.
Conteúdos: O corpo da aprendizagem que poderá aparecer nalguns programas sob a forma de temas ou tópicos, e noutros como áreas ou campos de exploração.
Método : Significa o padrão de actuação pedagógico-didactica do professor.
Estratégia: Acção do professor orientada no sentido de alcançar determinados objectivos.
Actividades: Oportunidades que proporcionam ao aluno determinadas experiências com o intuito de realizar uma aprendizagem.
Recursos: Na sua disciplina o professor constitui o recurso principal para a aprendizagem do aluno, bem como outros professores, pessoas da comunidade com conhecimentos específicos, livros e outros materiais. Mas sabemos que qualquer aluno seja qual for a sua idade, assimilou experiências de modo muito pessoal, e esta maneira pessoal de ver, de sentir e de estar pode constituir um riquíssimo recurso que nós professores nunca devemos ignorar.
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